A irmandade é um par de asas

As salas de aula com cadeiras enfileiradas nunca foram atrativas para Dandara. Na verdade, essa formação militar causava-lhe medo. Já as atividades em círculo aliviavam seu coração. Em círculo ela via suas companheiras, tinha certeza que não estava sola e alegrava-se com a falta de hierarquia espacial.

De certa forma, a ciranda que não lhe deixava sentir-se sozinha, era a representação de sua própria irmã. Dandara tinha dificuldade em fazer novos amigos e, se não fosse sua irmã, estaria sentido-se sozinha até hoje.

Era a irmã que ouvia suas confidências e os mais engraçados causos. No círculo da irmandade havia confiança e respeito. Uma pensando e amando a outra.

Certo dia, andando pelas lojas de um aeroporto qualquer, a irmã de Dandara passou a olhar as jóias das vitrines como se buscasse algo sem saber o quê, até que seus olhos encontraram um par de borboletas. “Dandara vai adorar eses brincos!” Além disso, a irmã de Dandara não pode evitar aquelas borboletas, sua grande paixão, desde a infância. Talvez ao presentear Dandara estivesse a presentear a si mesma. Exatamente como num círculo sem começo e fim em que o eu confunde-se com a outra.

No reencontro Dandara recebeu aquele brinco como muito amor. Podia ver o amor da relação das duas cristalizada naqueles minerais. Ostentou os delicados brincos nas orelhas. Olhou para a irmã abraçando-a com um sorriso iluminador. Naquele momento as duas souberam que presentear uma irmã com asas é conferir a si mesma a liberdade de viver.

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