A irmandade é um par de asas

As salas de aula com cadeiras enfileiradas nunca foram atrativas para Dandara. Na verdade, essa formação militar causava-lhe medo. Já as atividades em círculo aliviavam seu coração. Em círculo ela via suas companheiras, tinha certeza que não estava sola e alegrava-se com a falta de hierarquia espacial.

De certa forma, a ciranda que não lhe deixava sentir-se sozinha, era a representação de sua própria irmã. Dandara tinha dificuldade em fazer novos amigos e, se não fosse sua irmã, estaria sentido-se sozinha até hoje.

Era a irmã que ouvia suas confidências e os mais engraçados causos. No círculo da irmandade havia confiança e respeito. Uma pensando e amando a outra.

Certo dia, andando pelas lojas de um aeroporto qualquer, a irmã de Dandara passou a olhar as jóias das vitrines como se buscasse algo sem saber o quê, até que seus olhos encontraram um par de borboletas. “Dandara vai adorar eses brincos!” Além disso, a irmã de Dandara não pode evitar aquelas borboletas, sua grande paixão, desde a infância. Talvez ao presentear Dandara estivesse a presentear a si mesma. Exatamente como num círculo sem começo e fim em que o eu confunde-se com a outra.

No reencontro Dandara recebeu aquele brinco como muito amor. Podia ver o amor da relação das duas cristalizada naqueles minerais. Ostentou os delicados brincos nas orelhas. Olhou para a irmã abraçando-a com um sorriso iluminador. Naquele momento as duas souberam que presentear uma irmã com asas é conferir a si mesma a liberdade de viver.

germinar

 

Vontade de escrever. Despejar o mundo de desejos e perguntas que desembocam nesse oceano físico chamado corpo. Passada a euforia do desejo, a pergunta concreta sobre o quê escrever não acha resposta alguma. Resta a opção de escrever sobre esse turbilhão que não tem nome ainda, mas que vem de coisas que essas sim, já podem ser identificadas. Se no Brasil dizemos que o ano só começa depois do carnaval, eu diria que aqui na Alemanha começa depois da páscoa, pelo menos o ano acadêmico. Com ele despontam as primeiras mudas, os galhos flexíveis exibindo suas cabeleiras verdes, novas, sedosas e toda-se-querendo para o próximo verão. Aparecem as primeiras abelhas e vespas e fico esperando os primeiros rabinhos brancos dos coelhos saltitantes atravessando o campinho. Época de novos paladares culinários, novas receitas, temperos e combinações. Os vestidos começam a sair dos armários, a troca por sapatos mais leves é feita. Junto com a universidade as novas responsabilidades. Nesse semestre estou, junto com outra colega, dando aula – em alemão – o que está sendo uma oportunidade para atravessar inseguranças e expectativas tóxicas exageradas. Alias, o lado profissional tem dado um gás bem gostoso nesses últimos meses. Incrível como todas as mudanças transforma-se em um terreno fértil, mas nem sempre agradável, para conhecer e lidar com as sombras. Algumas vezes esse processo é feito de forma amigável mas outras leva tempo até deixar de arrancar lágrimas do meu coração. Os últimos anos tem sido de intensas mudanças, acontecimentos, de muitas explorações e descobertas, mas por algum motivo sinto sinais de que muito ainda vai abalar o nosso querido ano de 2017 na minha vida. Mas, das poucas coisas que sei e sinto, é que é tempo de sair, expressar-me,  dar voz e ação à essa mulher “intelectualizada”, que muitas vezes pensa mas não fala – só escreve, muito escreve mas pouco lê, cozinha mas nem sempre prova. Abrir a porta e ver o que tem do lado de fora. De mim, da vida, os outros, da realidade.

Amsterdã

Esse é só um relato de viagem e não propriamente um guia. Passei dois dias em Amsterdã por conta do meu aniversário e vou contar um pouco desses dias.

Pois bem, a primeira coisa a dizer é que queria ficar em uma casa-barco. Não fiquei em um barco propriamente dito mas a oportunidade em dormir e acordar olhando o mar era maravilhosa. É algo que com certeza farei de novo! No dia em que chegamos lá, demos uma voltinha pelo centro da cidade e só.

No dia seguinte, dia do meu aniversário, fomos pela manhã visitar um mercado de rua que lembrou bem as feirinhas no Brasil. Nas barracas era possível achar roupas novas e usadas, botões, tecidos, barraquinhas com comidas… Ali por perto tomamos café num restaurante chamado Boca’s e estava bem gostoso! Continuamos olhando a feirinha e depois partimos pro segundo programa que era visitar o Museu do Sexo.

Devo admitir que a coisa do “Museu” me fez ter fantasias de que seria um lugar “chic”, com um passeio pela sexualidade dos diferentes povos desse globo. Tinha isso também, mas pouco. E impressionou-me o quanto de “falo” tinha no museu do “sexo”. Fiquei pensando na nossa cultura falocêntrica e no escanteio que a sexualidade e o sexo feminino é delegada.

Depois do museu pegamos um dos barcos que fazem um tour pelos canais e foi bem agradável. Conheci um pouco da história e da arquitetura holandesa. Achei curioso que existe um gancho no teto das casas para ajudar a colocar os móveis dentro dos apartamentos, quando são feitas as mudanças. Isso é uma solução para os cômodos compridos porém bem estreitos.

Finalizando o passeio era hora de procurar um restaurante e sem querer achamos um restaurante português com uma comida muuuito boa! Descobri até uma cerveja saborosa – não sou uma grande apreciadora de cervejas -, a Sagres.

Chegou a noite, hora de dormir e aproveitar o último dia.

Como não tínhamos o dia todo decidimos visitar o Museu do Van Gogh  e o Moco Museu onde tinha uma exposição do Bansky. Gostei mais do segundo. A coleção do Van Gogh não era tão numerosa para os 3 andares do prédio, o que tornou a visita um pouco cansativa e minha “ignorância artística” não apreciou metade dos quadros…

Mas é isso pessoal. Como disse, foi um breve relato dessa segunda ida á Amsterdã. Tudo muito rápido é verdade, mas a experiência da casa-barco e as comidinhas gostosas valeram muito a pena!!!

tufão

Podia ser mais uma tarde qualquer. Podia ser  mais uma corriqueira brisa entrando pela porta da cafeteria que abria anunciado novos clientes. Mas não dessa vez. Com ela, entrou um tufão de emoção. Uma emoção tão carregada de clichês… Jeans, camisa branca, all star. Para além das causualidades, tatuagem e cabelos quase por beijar os ombros. Os olhos claros como um poço. Não eram claros de cor, mas claro de transparência da alma.

dar-se tempo

Sei que já se passaram muitos ventos desde meu último post sobre  armário cápsula. Mas eu não desisti dele. Parece que o inverno está acabando por aqui e atravessei por ele com apenas duas calças, algumas blusas e um santo pullover.

Durante esse tempo procurei as outras peças, já que tinha deixado minha lista de compras no bolso da jaqueta para sempre que eu passasse em alguma loja pudesse dar uma olhadinha. Mas olha… foi difícil achar alguma coisa. A dificuldade na procura intercalava-se com momentos de desânimo em provar roupas e desapontamento com a oferta das roupas.

Nesses momentos recorria mentalmente a frase da minha terapeuta, dizendo que esse processo do armário entre tantas coisas simbólicas que já escrevi aqui no blog, era também uma oportunidade de dar tempo a mim mesma. Tempo da procura, da escolha, do achamento…

Foi aí que as temperaturas começaram a subir, a minha resistência ao frio aumentando e as promoções de inverno pipocando, que saí mais uma vez com a minha listinha em punho. Achei coisas bem legais, que assim que eu tirar algumas fotinhas pretendo postar aqui.

Agora só me faltam os tão amados e adoráveis vestidos. Vai ver que é por gostar tanto que seja um pouco mais exigente e até o momento não tenha achado um do meu agrado. Mas vamos seguindo! O verão aqui ainda vai demorar para dar as caras, rsrs

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